Como ser um gestor de segurança de sucesso?

O mundo dos negócios esta cada vez mais complexo e as empresas precisam ficar cada vez mais competitivas para preservarem seu lugar no mercado.

Para isso, ela tem que buscar ser mais eficiente eficaz e efetiva. Nesta busca, o combate às perdas é essencial, e neste cenário, o gestor do segurança corporativa vai ter um papel fundamental para a manutenção da competitividade empresarial, mas para alcançar este objetivo, ele tem que ser um profissional altamente qualificado.

Para que o gestor seja o profissional que a empresa precisa ele tem que ser altamente competente. E o que é competência?

Dutra, Hipólito & Silva (1998) conceituam a competência como sendo a aptidão da pessoa em provocar resultados dentro do escopo organizacional.

A gestão de competências é uma forma avançada de administrar pessoas, sendo que sua sustentação está nos conhecimentos requeridos pela empresa para que seus objetivos sejam alcançados e na maneira como esses conhecimentos são disseminados entre os profissionais.

Zarifiam (2001) define competência como a aptidão que um indivíduo tem em ser proativo, de ir além do que está previsto. O autor ainda relaciona a competência com o conhecimento prático de experiências antecedentes.

Para Ruano (2003) a gestão de competências está diretamente ligada à área estratégica da empresa, se constituindo em um recurso importante para a gestão de pessoas e a organização, tendo como consequência uma atuação voltada para resultado e fornecendo suporte para o cumprimento dos objetivos e metas organizacionais.

Para Marras (2000), entre os diversos fatores que fazem com que uma empresa invista em seu funcionário, estão:

  • Quociente de inteligência;
  • Nível de inteligência emocional;
  • Qualidade educacional;
  • Identificação com a cultura organizacional;
  • Nível motivacional;
  • Habilidade negocial, técnica e/ou decisória;
  • Espírito de liderança;
  • Maturidade;
  • Background sólido;
  • Trajetória estável.

É importante ressaltar que os fatores descritos por Marras (2000) envolvem competências relacionadas com o comportamento do profissional.

Rabaglio (2001) expõe que as competências também podem ser categorizadas em:

  • Básicas: são relacionadas à cultura organizacional e demonstradas nos Currículos de todos os profissionais da empresa.
  • Diferenciadoras: são os comportamentos de maior frequência nos profissionais excelentes e que se distinguem dos profissionais proficientes.
  • Estratégicas: são as competências percebidas como essenciais para viabilizar a visão estratégica da organização.

Todas elas são levadas em consideração na avaliação de desempenho dentre da realidade e cultura da organização.

Segundo Durand (1998 e 1999) apud Vieira (2002) a competência é baseada em três dimensões – Knowledge, Know-How and Attitudes (conhecimento, habilidade e atitude), englobando não somente as questões técnicas, mas também de cognição, necessárias à execução de um determinado trabalho.

COMPE

A junção das três iniciais (CHA) é tudo o que uma função/cargo de uma empresa exige para que o serviço/produto seja bem administrado e de boa qualidade. No entanto, estas atribuições precisam estar bem definidas e atualizadas. Rabaglio (2001) define significados para essas letras, assim como segue:

  • C – conhecimento = significa conhecimento sobre um determinado assunto. Diz respeito à pessoa dominar um determinado Know-how a respeito de algo que tenha valor para empresa e para ela mesma. É o saber.
  • H – habilidade = significa habilidade para produzir resultados com o conhecimento que se possui. Diz respeito à pessoa conseguir fazer algum uso real do conhecimento que têm, produzindo algo efetivamente. É o saber fazer.
  • A – atitude = significa atitude assertiva e pró ativa – iniciativa. Diz respeito ao indivíduo não esperar as coisas acontecerem ou alguém ter que dar ordens, e fazer o que percebe que deve ser feito por conta própria. É o querer fazer.

Conclui-se que para que gestor de segurança tenha sucesso profissional ele precisa necessariamente ter bem definido o conhecimento sobre um determinado assunto, habilidade para produzir resultados com o conhecimento que possui e atitude assertiva e pró ativa (iniciativa), não devendo estar totalmente focado nos extremos, ou seja, parte prática (operacional) ou parte teórica (acadêmico). Ele deve buscar crescer na área acadêmica e aprimorar o conhecimento técnico adquirido.

Então não espere mais tempo, comece agora a ser um gestor de segurança de sucesso, adote uma  atitude assertiva e pró ativa (iniciativa), invista em sua carreira profissional, maximize seus conhecimentos profissionais e melhore sua habilidade para produzir resultados com os conhecimentos que você adquiriu treinando, treinando treinando e treinando….

Felicidades e Sucesso!

A ferramenta que eu utilizo e recomendo para você elaborar os projetos de gerenciamento de risco corporativo com tecnicidade e com a linguagem executiva que a diretoria de sua empresa ou cliente deseja, facilitando a defesa dos estudos e a interpretação do que deverá ser implantado na sua empresa ou cliente é a PLANILHA DE GERENCIAMENTO DE RISCO CORPORATIVO.

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Como conquistar o sucesso – por Will Smith

O que você precisa para fazer a diferença?

Como pode construir o seu sucesso?

Segue abaixo uma coletânea de frases do ator americano Will Smith com muitas lições valiosas que estão neste vídeo.

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Algumas Frases de Destaques Desse Vídeo:

“A grandeza é algo que está dentro de cada um de nós… Então, a partir daí, você faz o que precisa fazer.”

“A separação de talento e habilidade é um dos piores conceitos para as pessoas que estão tentando se sobressair, que têm sonhos, que querem fazer as coisas. Talento você tem naturalmente. Habilidade só é desenvolvida por horas e horas de prática.”

“Eu realmente nunca me vejo como particularmente talentoso. Onde eu me sobressaio é ridículo, revoltante, ética de trabalho. Enquanto o outro está dormindo, eu estou trabalhando. Enquanto o outro está comendo, eu estou trabalhando.”

“Não há nenhuma maneira fácil em torno disso. Não importa o quanto você é talentoso, seu talento vai falhar se você não estiver qualificado. Se você não estudar, se você não trabalhar muito e se dedicar a ser melhor a cada dia.”

“Você coloca um tijolo de cada vez, todos os dias, e logo você tem uma parede.”

“Eu quero fazer o bem. Eu quero que o mundo seja um lugar melhor porque eu estive aqui.”

“Se você não está fazendo a vida de alguém melhor, então você está desperdiçando seu tempo. Sua vida vai se tornar melhor, tornando a vida de outras pessoas melhor.”

“Você precisa acreditar que pode fazer a diferença.”

“Compreendo que para ter o nível de sucesso que eu quero ter, é difícil espalhar e fazer múltiplas coisas. Leva esse desesperado, obsessivo foco. Você realmente precisa ter foco com todas as suas fibras, todo seu coração e toda sua criatividade.”

“Sou motivado pelo medo… Medo de ter medo. Eu odeio ter medo de fazer algo.”

“Nunca deixe alguém te dizer que você não pode fazer algo. Nem mesmo eu.” (do filme “À Procura da Felicidade”)

Bacharelado ou curso profissionalizante?

Existe uma infinidade de cursos profissionalizantes, superiores, técnicos, de especialização e pós-graduação que ajudam a formar e capacitar profissionais. No entanto, qual escolher? É melhor fazer bacharelado* ou curso profissionalizante? “A orientação faz muita diferença na vida profissional de cada um e deve ser adaptada à realidade das pessoas”, afirma Caioá Lemos, psicóloga e orientadora profissional da Escolhas e Caminhos.

A escolha de qual formação é a melhor para você varia muito de acordo com a idade, condição socioeconômica e estágio da carreira de cada um. “Percebo que ainda há certo receio por parte dos pais que seus filhos façam apenas um curso profissionalizante ou técnico. A opção para esses jovens, caso tenham condições financeiras e de estudos, é sempre um nível superior (bacharelado ou licenciatura)”, comenta.

A indicação do curso superior é mais adequada também para os profissionais já inseridos no mercado de trabalho. “As empresas valorizam a formação profissional com diploma em nível superior. No entanto, para quem já tem um primeiro curso concluído e deseja mudar de área, o caminho deve ser uma pós em área específica, que atenda aos novos desafios profissionais.”

Transição na carreira
A psicóloga exemplifica essa transição na carreira com o caso de uma enfermeira acostumada à rotina hospitalar, lidando com pessoas, e que passou a vislumbrar a oportunidade de trabalhar em laboratório. “O direcionamento foi para uma pós-graduação. Recorrer a uma nova graduação seria começar do zero”, diz.

A especialista destaca que todas as modalidades de estudo têm seu público-alvo. “No caso dos cursos profissionalizantes, eles podem ser a porta de entrada para uma nova carreira. A indicação vale para quem ainda não tem uma formação específica e que necessita de renda imediata e contato rápido com o mercado de trabalho. Sua duração curta propicia ganhos nesse sentido”, argumenta.

Na opinião dela, esses cursos podem ajudar o profissional a se interessar por outras áreas, fazendo com que a pessoa – em contato com o mercado de trabalho – desperte o interesse por um nível superior mais à frente.

*Bacharelado – curso superior, com duração de quatro ou cinco anos, que pode ser feito por pessoas que tenham o ensino médio ou técnico concluídos. A modalidade de estudo qualifica o profissional em determinada área.

Profissionalizante – curso livre, com duração em média de seis meses, que capacita o profissional a exercer determinada função.

Por Vagas profissões.

AS SENHAS MAIS USADAS DE TODOS OS TEMPOS

Fonte: Tecmundo

Quando você inicia o cadastro em um jogo ou uma rede social, você escolhe a senha com cuidado ou usa a mesma para todos os serviços da internet? E se for um site que você não visitará com frequência, como uma loja de compras online, será que qualquer sequência de teclas já serve? Quando se trata de segurança digital, esses erros comuns podem facilmente fazer com que você seja mais uma vítima de invasão de contas.

Desde que o sistema de senhas começou a ser usado na internet, ficou claro que nem todos os códigos seriam impossíveis de serem acertados. Em alguns dos casos, teclar sequências óbvias pode até parecer uma boa alternativa, mas não se engane – afinal, é a visibilidade de seus dados que está em jogo.

As escolhidas

A simplicidade das sequências mais encontradas na internet é assustadora – e serve para mostrar o panorama mundial da (falta de) segurança na área.

Vários veículos e companhias publicaram inúmeros estudos com uma contabilização de senhas. Desde empresas especializadas em segurança digital, como a Imperva, até revistas e os próprios hackers, são várias as compilações divulgadas com as sequências mais óbvias utilizadas pelos usuários.

Apesar dos pedidos para que elas parem de ser escolhidas, é inevitável que termos comuns apareçam em cadastros. Com base nessas pesquisas, o Tecmundo compilou alguns dos temas e senhas mais simples e óbvios preenchidos nos campos de cadastro:

Senhas comuns (sem ordem de preferência)

1234567

123456

12345

123123

000000

password

qwerty

asdfgh

zxcvbnm

qazwsx

abc123

blink182

lol123

7777777

666666

jesus

brasil/brazil

letmein

iloveyou

hello123

matrix

admin

hotmail

babygirl

Temas mais escolhidos

O nome do usuário ou de membros da família;

O clube de futebol favorito;

A data de nascimento do usuário ou de pessoas próximas;

O número do seu telefone ou do(a) namorado(a);

O próprio site do cadastro;

Teclas que estejam lado a lado;

O mesmo termo do login.

Caso a sua esteja entre as selecionadas acima, não pense duas vezes antes de trocá-la. Note a preferência por números e letras que estão lado a lado no teclado (em “qwerty” ou “123456”), por nomes (“Daniel” ou “Nicole”) ou até o nome do próprio site (como “orkut” ou “twitter”).

Vale lembrar que a lista não inclui datas importantes para o usuário, que são mais raras de coincidirem (“12072011”, por exemplo), ou códigos de conhecimento geral para o Brasil, como “sccp1910” (a sigla de Sport Club Corinthians Paulista, fundado em 1910). Ainda assim, essas não são senhas tão seguras quanto você pensa.

Tudo tem um motivo

Se as suas senhas não apareceram na lista acima, não pense que elas são tão raras assim. Por várias razões, é até normal que “123456” seja o código escolhido por tantos usuários. Mas o que leva alguém a fazer essas escolhas óbvias?

Inimiga da perfeição

Escolher a primeira palavra que vem à sua cabeça só para acabar logo o cadastro pode ser um péssimo negócio. Métodos de quebra de senhas envolvem consultas a dicionários inteiros para verificar se sua senha é uma palavra comum, sem símbolos e números ou alternâncias entre caixas alta e baixa.

O ideal é pensar com calma e só finalizar o cadastro com a certeza de que sua sequência não será descoberta tão facilmente.

Qual era a senha daqui mesmo?

Uma senha para o Twitter, uma para o Facebook, outra para o Tecmundo e mais uma para aquele MMORPG que você acessa todos os dias. Com o tanto de serviços na internet que exigem cadastros, ter uma infinidade de sequências diferentes acaba sendo trabalhoso demais para quem não quer memorizar todas – ou anotar em um documento de texto ou em um papel, em um ato ainda menos seguro.

Para isso, é comum que o usuário padronize a senha e utilize a mesma em todos os seus serviços. A facilidade de logar se reflete também na hora da invasão: se o código for fácil, o hacker terá acesso a todos os serviços que você acessa na rede. Perigoso, não?

Ninguém vai invadir minha conta

Mesmo com a internet tendo muitos milhões de usuários em todo mundo, não pense que um hacker vai ignorar a sua existência.

Não é só porque você não faz nada de relevante mundialmente para a rede que seu email ou perfil ficarão seguros contra invasões. Esses ataques são feitos em massa contra sistemas inteiros, recolhendo um alto número de dados pessoais de grandes grupos de usuários, como cadastrados em redes sociais, por exemplo.

Isso leva muita gente a escrever qualquer coisa no campo de senha e realmente não se importar com isso – até que algo saia errado, claro.

Por que é tão fácil?

Com todos os riscos possíveis, ainda há quem escolha senhas fáceis para seus cadastros. Mesmo assim, fica difícil imaginar que seja tão simples invadir uma conta. Em vários casos, pode ser um método bastante básico.

Nome, sobrenome, data de nascimento…

Com uma simples pesquisa em redes sociais e outros serviços, é possível descobrir informações preciosas sobre você – e, para isso, nem é preciso ser um hacker especialista no assunto.

Sistemas de reconhecimento como o do Gmail auxiliam o usuário na escolha da senha. (Fonte da imagem: Google)

Dados simples podem compor o código, como seu aniversário, o nome do usuário ou de seus pais e até sua localização (cidade, estado ou país). Procure evitar esses termos fáceis não só para o computador, mas também para a senha do banco, por exemplo.

Os métodos do mal

Os hackers não têm uma bola de cristal. Mesmo pra descobrir as senhas mais simples, são usados mecanismos complexos baseados em algoritmos e bancos de dados prontos.

Os principais métodos são os de codificação por força bruta (que tenta o login a partir de todas as combinações possíveis de caracteres, independente do número deles) e por dicionários (para descobrir o código a partir de um banco de dados prévio).

Ambos dependem do número de caracteres da senha e do uso de diferentes teclas, como números e símbolos. Quanto mais complexa e bem escolhida ela for, portanto, mais difícil é a invasão.

E aí, qual a complexidade de sua senha? Ela entrou na lista ou você toma cuidado na hora de escolher a sequência responsável por proteger seu perfil? Existe algum método infalível que você use?

Escolher um código seguro nos dias de hoje não é muito simples, mas é possível. Faça o download da PLANILHA GERADOR DE SENHAS EM EXCEL totalmente grátis que gera senhas de oito e dez caracteres combinando números, letras e símbolos de sua escolha.

Até a próxima!

GESTÃO E ANÁILSE DE RISCOS

O risco é o grau de incerteza em relação a possibilidade de ocorrência de determinado evento, o que, em caso afirmativo, redundará em prejuízo.

 O risco é intrínseco a todas as Organizações, independente de seu segmento de mercado ou seu core business. As Organizações correm riscos desde o momento de seu “nascimento”.

Durante muito tempo as organizações vem lidando com tentativas de dimensionar os riscos e, assim, ganhar em segurança para decidir lucrar, reduzir perdas ou mesmo sobreviver. A questão sempre foi como mensurar o risco.

Por meio de suporte em abordagens probabilísticas há a possibilidade de se monitorar as variáveis que comportam os riscos e estudar o comportamento dos atores com poder para transformar essas variáveis em fatores de risco, para o empreendimento, para a organização ou para as decisões que se pretende tomar.

Para os profissionais de segurança uma boa noção de risco está embutida na equação Risco = Ameaças x Vulnerabilidades, de maneira simplificada, havendo assim necessidade de identificação precisa das ameaças que podem impactar a organização e seus negócios e das vulnerabilidades que a organização detém.

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Vulnerabilidades são fragilidades internas de uma organização passiveis de serem aproveitadas por ameaças, de modo a causar danos a empresa.

As ameaças são originárias dos ambientes interno e externo à organização, havendo uma multiplicidade de formas com que podem se manifestar e de atores com potencial para produzi-las.

O risco é a probabilidade de ameaças impactarem vulnerabilidades ocasionando prejuízos as pessoas, ao patrimônio, e a imagem da organização, podendo causar danos e até comprometer a sobrevivência da organização como um todo.

Poder prever a probabilidade de uma dada ocorrência acontecer, o dano que ela pode causar na vida da organização ou mesmo as oportunidades que se possam surgir a partir de situações arriscada passou a se impor como ferramenta gerencial, capaz de gerar mais segurança nas decisões dos gestores ou de antecipar decisões visando facilitar ações futuras.

A sobrevivência no mundo competitivo dos negócios impôs essa necessidade e a maioria das organizações passou a adotar como política, de forma explicita ou não implantar uma metodologia que possibilite calcular, de forma confiável, o risco que a organização pode assumir na ocorrência de um fato já levantado e delineado.

Existem muitas metodologias que auxiliam as previsões para o gerenciamento de riscos. Algumas incluem análises qualitativas e quantitativas.

Ferramentas de TI são extremamente úteis à gestão de segurança e também para as tentativas de determinar as probabilidades de ocorrências de riscos.

É apresentado a seguir uma ferramenta de TI como solução a necessidade de determinar as probabilidades de ocorrências de riscos e mensurar seus respectivos danos.

PEC da redução da maioridade penal cita Bíblia e é criticada por teólogos

Após a discussão sobre a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da maioridade penal ter avançado na semana passada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, o texto é criticado por teólogos religiosos e leigos (não-religiosos) por utilizar trechos da Bíblia como justificativa para a diminuição da idade penal. A PEC, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos de idade, faz citações a três personagens bíblicos para fundamentar a medida. A proposta ainda precisa ser votada na Câmara e no Senado para entrar em vigor. Para teólogos ouvidos pelo UOL, a Bíblia não deveria ser a única justificativa para a medida.

A PEC 171/93 foi apresentada pelo ex-deputado federal Benedito Domingos em 1993, à época no PP do Distrito Federal. O texto da PEC tem duas páginas (disponíveis nos arquivos digitais da Câmara dos Deputados).

No campo “justificação”, destinado a explicar os motivos da emenda, o texto faz três referências a diferentes personagens da Bíblia: Salomão, Davi e o profeta Ezequiel. Não há nenhuma referência no texto sobre dados estatísticos ou pesquisas para embasar a redução da maioridade penal na PEC 171.

O texto argumenta que “o moço hoje entende perfeitamente o que faz e sabe o caminho que escolhe. Deve ser, portanto, responsabilizado por suas opções”. Para justificar esse ponto de vista, o texto relembra o profeta Ezequiel, do Velho Testamento.

“A uma certa altura, no Velho Testamento, o profeta Ezequiel nos dá a perfeita dimensão do que seja a responsabilidade pessoal: Não se cogita nem sequer de idade: ‘A alma que pecar, essa morrerá’”, diz o texto da PEC.

Em outro trecho, a PEC cita o rei Davi, um dos mais influentes da história do judaísmo. “Davi, jovem, moderno pastor de ovelhas acusa um potencial admirável com seu estro de poeta e cantor dedilhando a sua harpa, mas ao mesmo tempo, responsável suficiente para atacar o inimigo do seu rebanho”, continua o texto.

O terceiro personagem citado pela PEC é o rei Salomão. “Salomão, do alto de sua sabedoria, dizia: ‘Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velha não se desviará dele’”, diz o trecho.
Críticas

Para o pós-doutor em Teologia e professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Alex Vilas Boas, a utilização de trechos da Bíblia para justificar a redução da maioridade penal é vista com preocupação.

“Esse é um assunto extremamente delicado e os trechos da Bíblia não deveriam ser a única justificativa para a aprovação dessa matéria. O problema não é usar a Bíblia, mas é como ela é interpretada”, afirmou.

Vilas Boas diz que há grupos que se apropriam do discurso religioso para atuar de forma política. Ele diz que usar a Bíblia como base para justificar a redução da maioridade penal não é diferente do que alguns regimes islâmicos fazem ao usar a sharia (conjunto de leis baseada no Alcorão) para justificar penas como a aplicação de chibatadas ou a morte por apedrejamento.

“O mecanismo é o mesmo. Utiliza-se uma experiência religiosa de um segmento do povo para justificar práticas políticas impostas a toda população”, afirmou o professor.

As críticas em relação ao uso da Bíblia para justificar a redução da maioridade penal partem até mesmo de de religiosos. O padre Denilson Geraldo é professor da PUC-SP, doutor em direito canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma e mestre pelo Instituto de Direito Canônico de São Paulo. Ele também é contrário ao uso de trechos da Bíblia como base para fundamentar a PEC da redução da maioridade penal.

“Quando se tira um texto do seu contexto, o que se cria, na realidade, é um pretexto. E isso é muito perigoso. Não acho que a Bíblia deveria ser utilizada dessa forma para justificar a redução da maioridade penal. Na época em que a Bíblia foi escrita, não havia o entendimento que temos hoje sobre a infância e a adolescência. Não podemos desconsiderar isso”, afirmou.

O padre Denilson Geraldo aponta ainda a falta de embasamento científico da emenda. “Há inúmeros estudos sobre o assunto mostrando que o problema da criminalidade não recai exclusivamente sobre os jovens. Usar apenas a Bíblia para fundamentar isso seria um erro”, diz. A CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) já se manifestou contra a redução da maioridade penal.

O deputado federal Marcos Rogério (PDT-RO), relator do voto que baseou a aprovação da admissibilidade da PEC na CCJ da Câmara, diz respeitar a argumentação feita pelo ex-deputado federal Benedito Domingos em 1993, mas afirma que o argumento religioso não deverá pautar a discussão da redução da maioridade penal no Congresso.

“A Bíblia me orienta, mas não acho que o que será discutido é a argumentação religiosa. O que será discutido é uma questão que vai além das crenças religiosas”, afirmou.

O UOL tentou entrar em contato com o deputado federal João Campos (PSDB-GO), presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso, mas ele não retornou os contatos feitos pela reportagem