METODOLOGIAS DE ANÁLISE DE INTELIGÊNCIA

E aí meus amigos do blog Inteligência e Segurança! Dando continuidade a nossa série de artigos sobre a atividade de inteligência hoje vamos falar sobre as metodologias de análise de inteligência.

A Lógica

Para melhor compreensão de Inteligência, revisitemos o conceito de Lógica e suas variantes, entendendo que Lógica (do grego clássico λόγος logos, significa palavra, pensamento, ideia, argumento, relato, razão ou princípio); é uma ciência de índole matemática e fortemente ligada à Filosofia.

Já que o pensamento é a manifestação do conhecimento e que o conhecimento busca a verdade, é preciso estabelecer algumas regras para que essa meta possa ser atingida. Assim, a Lógica é o ramo da Filosofia que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento do pensar.

A aprendizagem da Lógica só tem sentido enquanto meio de garantir que nosso pensamento proceda corretamente a fim de chegar a conhecimentos verdadeiros. Podemos, então, dizer que a Lógica trata dos argumentos, isto é, das conclusões a que chegamos por meio da apresentação das evidências que a sustentam. O principal organizador da Lógica Clássica foi Aristóteles, na obra Organon. Ele dividiu a Lógica em Formal e Material.

Um sistema lógico é um conjunto de axiomas e regras de inferência que visam representar formalmente o raciocínio válido. Diferentes sistemas de Lógica Formal foram construídos ao longo do tempo quer no âmbito escrito da Lógica Teórica, quer em aplicações práticas na computação e em inteligência artificial.

Desse modo, tradicionalmente, Lógica é também a designação para o estudo de sistemas prescritivos de raciocínio, ou seja, sistemas que definem como se “deveria” realmente pensar para não errar, usando a razão, dedutiva e indutivamente. A forma como as pessoas realmente raciocinam é estudada nas outras áreas, como na psicologia cognitiva.

Como ciência, a Lógica define a estrutura de declaração e argumento para elaborar fórmulas por meio das quais esses podem ser codificados. Importante destacar que implícita no estudo da Lógica está a compreensão do que gera um bom argumento e de quais argumentos não são verdadeiros.

A Lógica Filosófica lida com descrições formais da linguagem natural. A maioria dos filósofos assume que boa parte do raciocínio “normal” pode ser capturada pela Lógica, desde que se seja capaz de encontrar o método certo para traduzir a linguagem corrente para essa Lógica.

Essa análise conduz às seguintes conclusões:

• a Lógica é fundamental na análise de Inteligência e significa “conceito”, “discurso”, “pensamento”, “razão”;

• o principal objetivo da Lógica é a análise dos argumentos utilizados no discurso;

• sob seus fundamentos é que serão desvelados a conclusão e o significado final de um produto da atividade de Inteligência;

• como ciência, a Lógica estuda os métodos e os princípios usados para distinguir o raciocínio correto do incorreto, constituindo-se em uma ferramenta indispensável para o trabalho daquele que analisa ou pesquisa.

Nesse contexto, é válido destacar outros conceitos como Lógica Formal e Lógica Material.

Entende-se a Lógica Formal, também chamada de Lógica Simbólica, como a ciência que estuda, basicamente, a estrutura do raciocínio e faz relações entre conceitos, fornecendo um meio de compor provas de declarações. Na Lógica Formal, os conceitos são rigorosamente definidos e as sentenças são transformadas em notações simbólicas precisas, compactas e não ambíguas.

As letras minúsculas p, q e r, em fonte itálica, são convencionalmente usadas para denotar proposições: p: 1 + 2 = 3. Esta declaração define que p é 1 + 2 = 3 e que isso é verdadeiro.

Duas ou mais proposições podem ser combinadas por meio dos chamados operadores lógicos binários, formando conjunções, disjunções ou condicionais. Essas proposições combinadas são chamadas proposições compostas. Por exemplo: p: 1 + 1 = 2 e “Lógica é o estudo do raciocínio”.

Neste caso, e é uma conjunção. As duas proposições podem diferir totalmente uma da outra. Na Matemática e na ciência
da Computação, pode ser necessário enunciar uma proposição dependendo de variáveis: ex.: p: n é um inteiro ímpar.
A Lógica Material trata da aplicação das operações do pensamento, segundo a matéria ou natureza do objeto a conhecer.
Neste caso, a Lógica é a própria metodologia de cada ciência. É, portanto, somente no campo da Lógica Material que
se pode falar da verdade: o argumento é válido quando as premissas são verdadeiras e se relacionam adequadamente
à conclusão.

Nesse espaço de reflexão, torna-se significativo entender os processos de raciocínio (como uma operação Lógica discursiva e mental), relembrando que o ser humano, para conhecer determinados fatos ou situações realiza três operações mentais:

• conceber ideias;

• formular juízos;

• elaborar raciocínios.

IDEIA OU CONCEITO

A Lógica chama os CONCEITOS de TERMOS. E conceito é a simples representação mental de um objeto. Ex.: Eu sou analista. Dessa forma, o conceito é o primeiro passo para a investigação da Lógica.

O CONCEITO é o elemento de uma proposição, como uma palavra é o elemento de uma sentença.

Conceitos são abstratos porque omitem as diferenças entre as coisas em sua extensão (semântica), tratando-as como se fossem idênticas e substantivas. Conceitos são universais ao se aplicarem igualmente a todas as coisas em sua extensão.

Os conceitos são portadores de significado. Um único conceito pode ser expresso em várias linguagens. O conceito cão pode ser expresso como Hund em alemão, hond em Afrikaans, dog em inglês, perro em castelhano, gos em catalão, hundo em esperanto, txakur na língua basca, chien em francês, can em galego, cane em italiano, canis em latim etc.

JUÍZO é operação mental que integra ou desmembra ideias; é o processo que conduz ao estabelecimento das relações entre conceitos, que conduzem ao pensamento lógico, objetivando uma integração significativa, que possibilite uma atitude racional ante as necessidades do momento.

Ex.: 1. Eu sou analista e operador de Inteligência. Ex.: 2. Eu sou operador de Inteligência, mas não sou analista.

Segundo Aristóteles, julgar é estabelecer uma relação entre conceitos. A natureza do juízo consiste em afirmar uma coisa de outra, pois encerra três elementos: duas ideias e uma afirmação. A ideia da qual se afirma alguma coisa chama-se sujeito. A ideia que se afirma do sujeito chama-se atributo ou predicado. Quanto à própria afirmação, representa-se pelo verbo é, chamado cópula, porque une o atributo ao sujeito.

Quanto ao conteúdo, o juízo, é entendido como:

De realidade: aquele que enuncia um fato ou uma relação entre fatos. Bond é um agente de operações.

De valor: aquele que enuncia algo subjetivo, como uma opinião ou uma apreciação. Eu avalio a obra de Lan Fleming, como muito criativa. A expressão verbal dos juízos (frases) é a PROPOSIÇÃO.

Observe abaixo a classificação dos juízos quanto à/ao:

Nova Imagem (4)

Desse modo, pode-se entender que, por meio do raciocínio, o intelecto humano utiliza uma ou mais proposições para concluir sobre mecanismos de comparações e abstrações, quais são os dados que levam às respostas verdadeiras, falsas ou prováveis. Dessas premissas, pode-se concluir que, pelo processo do raciocínio, ocorreu o desenvolvimento do método matemático, considerado instrumento puramente teórico e dedutivo e que prescinde de dados empíricos.

Além disso, por meio da aplicação do raciocínio, as ciências como um todo evoluíram para uma crescente capacidade do intelecto em alavancar o conhecimento. Esse é utilizado para isolar questões e desenvolver métodos e resoluções nas mais diversas questões relacionadas à existência e sobrevivência humana.

O raciocínio, como um mecanismo da Inteligência, gerou a convicção nos humanos de que a razão unida à imaginação constitui o instrumento fundamental para a compreensão do universo, cuja ordem interna é a base do racionalismo.

Logo, o raciocínio pode ser considerado também um dos integrantes dos mecanismos dos processos cognitivos superiores da formação de conceitos e da solução de problemas, sendo parte do pensamento.

Diante disso, entende-se o raciocínio como o processo que consiste em compreender conclusões, a partir de premissas (proposições indutoras). As premissas (ou hipóteses) são as proposições enunciadas como provas ou evidências para que se aceitem as conclusões, entendendo que a conclusão é a proposição que se afirma com base nas outras proposições do mesmo argumento (também chamada de dedução ou proposição induzida ).

O argumento é um conjunto de enunciados, mas não um conjunto qualquer de enunciados que têm certa relação entre si; é a representação Lógica do raciocínio, isto é, consiste na exposição de um raciocínio por meio da linguagem. Argumentar bem é uma habilidade fundamental no mundo moderno, essencialmente pela articulação do pensamento de uma maneira sólida e envolta pelo bom-senso.

Analise o exemplo a seguir para complementar os conhecimentos sobre este assunto:

Nova Imagem (5)

O conhecimento de Inteligência

Todos estes conceitos estudados até aqui são fundamentais para nossa compreensão de como se constrói nosso conhecimento e como o apresentamos ao nosso cliente. Nesse sentido, é preciso ainda observar que a produção do conhecimento de Inteligência se dá mediante um processo de análise, seguindo uma metodologia científica, cujo intuito primeiro é integrar dados validados e outros conhecimentos, a fim de disponibilizar o produto informacional que a organização necessita, com precisão e oportunidade, com base em conclusões Lógicas.

Relembrando:

CONHECIMENTO: Informação avaliada, interpretada e integrada que os dirigentes necessitam, para tomar decisões. “INFORMAÇÕES ÚTEIS”! (ou ACIONÁVEIS, como preferem ao os norte-americanos).

Incorporando um novo conceito:

CONHECIMENTO DE Inteligência: É a exposição, produto do trabalho de Inteligência, a respeito de fato ou situação, real ou hipotética, de interesse para a organização e produzida por metodologia própria de Inteligência.

O processo de iniciar um atendimento de necessidade de conhecimento se dá em função de um plano prévio de Inteligência, no qual estão explicitados os objetivos de Inteligência ou as necessidades de conhecimentos, por iniciativa do analista que reconhece uma necessidade específica; por determinação de uma autoridade solicitante ou, ainda, por solicitação de um OI congênere.

A Metodologia de Produção do Conhecimento de Inteligência é uma metodologia de análise que, obviamente, serve não só para gerar um produto informacional, mas também para decompor uma situação e, assim, obter um entendimento a respeito. A base dessa metodologia é a Lógica.

O analista de Inteligência inicia seu trabalho na seguinte sequência Lógica:

• do próximo para o afastado;

• do simples para o complexo;

• do geral para o particular;

• do custo mais baixo para o mais elevado.

São quatro os conhecimentos de Inteligência: o INFORME, a INFORMAÇÃO, a APRECIAÇÃO e a ESTIMATIVA. Eventualmente, poderão ser produzidos CENÁRIOS.

O que diferencia cada um desses conhecimentos são:

• a operação mental realizada;

• o grau de credibilidade;

• o espaço temporal.

Mais adiante, estes aspectos serão aprofundados.

Em geral, a Mensagem de Inteligência e o Memorando de Inteligência são documentos utilizados para transmitir, principalmente por meios eletrônicos, em atendimento ao princípio da oportunidade, conhecimentos de inteligência bem como fatos urgentes, ainda não avaliados (dados). O Relatório de Inteligência permite integrar, em um único documento, diferentes conhecimentos, todavia, é mais utilizado para formalizar apreciações.

A Análise de Situação e o Estudo de Caso, geralmente, formalizam as apreciações, que podem não ter sido produzidas pelo método preconizado aqui, mas sim utilizando-se outras técnicas de análise, tais como Benchmarking, Fatores Críticos de Sucesso, Forças de Porter e Matriz SWOT. Oportunamente, essas técnicas serão estudadas.