RIO-2016 ESTAMOS PREPARADOS PARA A REAL AMEAÇA DE UM ATENTADO?

As Olimpíadas e os Jogos Paraolímpicos de 2016, dois megaeventos esportivos restritos majoritariamente a cidade do Rio de Janeiro, diferentemente da Copa de 2014 que teve 12 cidades sede, pode induzir-nos a pensar que as soluções de segurança serão administráveis e mais simples devido à restrição da área de risco e facilidade de mobilização dos efetivos de segurança a serem empregados.

Na verdade, o cenário é mais complexo e dinâmico porque expõe situações críticas como a circulação da tocha olímpica durante 100 dias por 27 Estados do país e a realização dos jogos de futebol em seis Estados diferentes, exigindo minucioso planejamento de segurança perimetral e emprego efetivo de agentes de segurança em todos os itinerários e estádios para garantir a segurança de turistas, autoridades estrangeiras, atletas, treinadores, imprensa internacional, patrocinadores e representantes, além dos residentes no país.

Outro fator comparativo importante a ser considerado é que na Copa do Mundo de 2014 participaram 32 países com total de 800 atletas; nos jogos olímpicos de 2016 serão aproximadamente 10 mil atletas de diversas nacionalidades, algo em torno de 42 Copas acontecendo simultaneamente no período de 20 dias.

Considerando os cenários complexos e dinâmicos dos eventos Olimpíada e Paraolimpíadas de 2016, a exposição ao risco para atentados terroristas como os mais recentes mobilizados pelo Estado Islâmico (EI) é uma hipótese que não pode ser ignorada, mesmo que o Brasil, historicamente, não tenha registros de atentados e não tenha sido, até o momento, alvo direto das ações extremistas.

Como novo paradigma, os conflitos armados, distúrbios civis e ações extremistas contemporâneas ocorrem em meio à população, diferente dos antigos combates em localidade, quando as ações ocorriam de quarteirão a quarteirão.

No conflito considerado como “ A Guerra da Era do Conhecimento” o terrorista (representando facções com ou sem apoio de Estados e às vezes atuando isoladamente) se infiltra à população e atua diretamente em restaurantes, salas de cinema, teatros, estádios de futebol, escolas, igrejas, aeroportos, estações de metrô ou outros conglomerados de pessoas. Isso caracteriza a mudança na natureza das ameaças, com o emprego de métodos assimétricos e não convencionais, classificados doutrinariamente por militares como “ameaças irregulares com o propósito de atingirem objetivos extremos”, como por exemplo o recente e trágico atentado do último dia 13 de novembro em Paris (França), que resultou em 130 mortes e 350 feridos.

Atualmente, o fundamentalismo defendido e praticado pelo Estado Islâmico de forma distorcida e radical exerce influência direta nas ações terroristas que mobilizam expressivo número de fiéis, com a ação de homens-bomba que representam opção de baixo custo e elevado potencial de impacto material e psicológico e grande mobilidade, o que supostamente permite agir em qualquer local, aproveitado a vulnerabilidade dos sistemas de segurança, principalmente nos países menos desenvolvidos.

O Brasil, com de 7.367 km de fronteira marítima e mais 15.735 km de fronteira terrestre, torna-se alvo fácil e alternativa provável, de um lado devido à intensificação das medidas de segurança e controle de fronteiras adotadas nos países do Primeiro Mundo depois das ocorrências dos últimos anos, de outro pelas características do megaevento esportivo, onde um ato de terror teria grande visibilidade internacional.

Como possível reflexo a partir de cenários prospectivos, o fator “mês de agosto”, que segundo a tradição islâmica é o mês sagrado em que se encerra o Ramadã e ocasião para rememorar o sacrifício de seus antepassados mártires, reascende a chama do sentimento extremista e contribui para elevar o motivacional para a realização de atentados. As Olímpiadas do Rio de Janeiro acontecem entre 5 e 21 de agosto deste ano.

Outro fator a ser considerado é a possível entrada de militantes islâmicos radicais no Brasil, para dissimular suas ações, devido à tradicional neutralidade diplomática do país e ao apoio financeiro das comunidades que vivem nos grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. Isso acontece como estratégia para o “esfriamento” de lideranças e de simpatizantes incorporados ao radicalismo, que permanecem como “células adormecidas” prontas para serem despertadas.

Além desses fatores, os recursos financeiros previstos pelo governo para a “prevenção de incidentes e ao terrorismo” do evento pode estar comprometida. Segundo o portal Contas Abertas, devido ao ajuste fiscal os gastos na área estão sendo afetados com impactos diretos no projeto de prevenção.

Diante desse cenário de risco de atentados terroristas durante as Olímpiadas, é preciso refletir com profissionalismo se estamos realmente preparados para esta ameaça. As verbas destinadas ao Ministério da Defesa serão suficientes para o planejamento, organização e implementação da segurança desse megaevento?

As Forças Armadas estão suficientemente preparadas e equipadas para dar pronta resposta a eventuais atentados simultâneos? Os órgãos de segurança federais estão aptos a operar interagências para execução da segurança nesse período? Os controles de fronteiras estão, de fato, aptos a identificar potenciais ameaças terroristas? Os órgãos de inteligência nacionais possuem estrutura, meios e recursos suficientes para atender as demandas necessárias ao seu desempenho? Como estão os planejamentos e execuções sob a responsabilidade da administração pública federal, estadual e municipal?

O Brasil possui vocação pacífica, é constituído culturalmente por diversas etnias que convivem em harmonia e, historicamente, nunca foi alvo de atentados terroristas. Apesar disso, os fatores prospectivos elevam a responsabilidade dos órgãos responsáveis pela segurança pública sobre as medidas contra a ameaça de atentados extremistas, que exigem eficácia em sua implementação e realização.

É necessário envolver e buscar a adesão espontânea da sociedade em seus diversos segmentos, na conquista dos objetivos que priorizam a soberania, os interesses culturais, o patriotismo e, especificamente, os princípios fundamentais que regem o espirito olímpico: contribuir com uma atividade universal e permanente para o convívio global harmônico e pacífico; educar através do esporte, sem discriminação e com o espírito olímpico, a solidariedade, o respeito, a amizade e a paz entre nações.

FONTE: Revista Gestão de Riscos – Edição 93. Disponível em: http://www.brasiliano.com.br/revista.php

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