IDENTIFICANDO RISCOS CORPORATIVOS

Identificando Riscos Corporativos

  1. COMPREENSÃO DA EXISTÊNCIA DE PERIGOS

A identificação dos riscos e de seus fatores significa a compreensão das origens de cada perigo. Deve-se buscar responde porque o perigo existe na empresa. Quais são as condições que potencializam a concretização do evento estudado.

A compreensão da origem do perigo é imperiosa para a eficácia no tratamento, na priorização que a empresa vai poder dedicar para mitigar aquela situação. Somente após o entendimento do porque da existência de cada perigo, é que poder-se-á sugerir medidas eficazes para mitigar.

Na fase de identificação dos perigos na empresa devemos primeiramente saber quais são os ativos que pretendemos proteger. Podemos dividir em três fases a identificação dos ativos a serem protegidos:

1) Identificação de processos e recursos críticos da empresa – Ativos:

Isto requer percorrer a cadeia gerencial da empresa até os respectivos chefes operacionais, responsáveis pelos processos que venham influenciar nos Fatores Críticos de Sucesso. Haverá inúmeras reuniões, tendo às vezes que até desmembrar macro processos. Um processo pode ser considerado como sendo um grupo de atividades interconectadas mensuráveis que podem fluir entre os departamentos.

2) Descrição de processos e recursos críticos:

Uma vez identificados os processos e recursos, a equipe de gerenciamento de riscos deve responder perguntas estratégicas de cada processo, tais como:

  1. Qual o papel deste processo dentro da empresa?
  2. O processo é crítico, quais os Fatores Críticos de Sucesso que ele influencia?
  3. O processo significa a sobrevivência da empresa?
  4. Quanto tempo eu preciso para pode colocar o processo em andamento, sem prejudicar o core business?
  5. Quais recursos eu necessito?
  6. Quais pessoas eu preciso?
  7. Quais informações são cruciais para meu planejamento?
  8. Entre outras.

Enfim as perguntas devem identificar os recursos e ou ativos considerados críticos.

3) Avaliação de processos

Uma vez que os processos e recursos tenham sido identificados e descritos, eles devem ser avaliados para identificar quais são os perigos que eles estão expostos.

Identificados os perigos e os respectivos ativos, passa-se a fase de levantamento de quais são os fatores que fazem com que os perigos possam se concretizar.

  1. IDENTIFICANDO OS FATORES DE RISCOS

É necessário o desmembramento do perigo em fatores ou causas, que podem estar dentro do controle da empresa ou serem incontroláveis.

Os fatores de risco são na realidade a origem e ou causa de cada perigo. Para compreender o risco – a condição – a soma de todos os fatores, há a necessidade de dissecar o fluxo de cada processo.

É de suma importância à compreensão dos fatores de risco e de suas origens, pois desta forma é que poder-se-á implementar medidas preventivas reais. Por esta razão é primordial identificar os reais impulsionadores da concretização do perigo.

  1. DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO – ISHIKAWA

Existem vários modelos para dissecar o fluxo de cada processo e separar os seus fatores de risco. Utilizamos o Diagrama de Causa e Efeito, o chamado Diagrama de Ishikawa e ou de Espinha de Peixe.

Esta metodologia é uma notação simples para identificar fatores que causam o evento estudado. Em 1953 o Professor Karou Ishikawa, da Universidade de Tóquio Japão, sintetizou as opiniões dos engenheiros de uma fábrica na forma de um diagrama de causa e efeito, enquanto eles discutiam problemas de qualidade. O diagrama bem detalhado apresenta a forma de uma espinha de peixe.

O diagrama passou a ser implantado na gestão da qualidade e de outros processos empresariais. O diagrama da qualidade possui seis macro causas ou fatores de detalhamento. São denominados de 6M: Mão de Obras, Método, Meio Ambiente, Máquina, Material e Monitoramento. O diagrama abaixo exemplifica:

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Na gestão de riscos da segurança é possível fazer uma adaptação nos fatores de perigo, inserindo: Meios Organizacionais, Recursos Humanos da Segurança, Meios Técnicos Passivos, Meios Técnicos Ativos, Ambiente Interno e Ambiente Externo. A idéia não é esgotar o assunto, mas sim “arrumar” de forma sistêmica os seis macros fatores que o segmento de segurança empresarial possui. O diagrama abaixo exemplifica.

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Os fatores podem ser:

– Meios Organizacionais: é o levantamento se na empresa possui normas de rotina e de emergência, políticas de tratamento de riscos, gerenciamento de riscos entre outras. A não formalização ou o não detalhamento pode ser um fator de influência para a concretização do perigo.

– Recurso Humano da Segurança: é o levantamento do nível de qualificação, quantidade, posicionamento tático da equipe.

– Meios Técnicos Passivos: é o levantamento da não existência de recursos físicos, tais como lay-out de portaria, salas, resistências de paredes, vidros entre outros.

– Meios Técnicos Ativos: é o levantamento da não existência de sistemas eletrônicos, indo desde CFTV, controle de acesso, sensoriamento, sistemas de rastreamento e centrais de segurança.

– Ambiente Interno: é o levantamento do nível de relacionamento dos colaboradores e empresa. Inclui desde políticas de remuneração até políticas de recursos humanos.

– Ambiente Externo: é o levantamento de cenários prospectivos, identificando fatores externos incontroláveis, mas que influenciam na concretização de perigos. Inclui o levantamento dos índices de criminalidade, estrutura do crime organizado, mercados paralelos, estrutura do judiciário, corrupção policial, ambiência no entrono, entre outros.

A técnica para detalhar os fatores é fazendo a pergunta PORQUE até esgotar o respectivo fator. O objetivo é identificar quais sub-fatores influenciam na concretização do perigo. O risco passa ser então o somatório dos fatores.

  1. CONCLUSÃO

A realização do Diagrama de Ishikawa, por perigo, nos fornece, através dos inúmeros fatores de riscos, o nível de probabilidade – nível de possibilidade – do perigo vir a acontecer.

Desta forma, entendendo as origens é que de fato poderemos implementar medidas preventivas. A partir do Diagrama de Causa e Efeito é que será construído um plano de ação para reduzir ou eliminar os inúmeros fatores de risco de cada perigo.

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