INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL

Inteligência Empresarial

Para poder compreender a importância do significado de Inteligência e sua utilização no mundo empresarial, é preciso falar um pouco da história da Inteligência no Brasil e no Mundo.

O primeiro serviço de inteligência organizado que se teve notícia foi da Inglaterra quando Sir Francis Walsingham, Ministro do Exterior da Rainha Elizabeth I, o criou, ainda na Idade Média. Somente na Idade Contemporânea este adquiriu uma forma organizada e aperfeiçoada, podendo assim ser considerada, como instituição com estrutura própria.

A Atividade de inteligência no Brasil teve início em 1927 no governo de Washington Luís com a criação do Conselho de Defesa Nacional (CDN). No governo de Getúlio Vargas o CDN foi implementado, alterando sua denominação para Conselho Superior de Segurança Nacional (CSSN).

Durante o Estado Novo, foram criados o Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP), origem da Polícia Federal (PF) de hoje; Delegacia da Ordem Política e Social (DOPS), que objetivava a correção de atitudes da sociedade, segundo parâmetros da época.

No governo de Eurico Gaspar Dutra, em 1946, foi criado o Serviço Federal de Informações e Contrainformações (SFICI).

Em junho de 1964, foi criado o Serviço Nacional de Informações (SNI). Com sua extinção em 1990 pelo então Presidente da República Fernando Collor, foi criado a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e em 1995 nasce a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).

Hoje, no Brasil, o serviço de inteligência ainda é muito pouco utilizado, talvez porque os empresários temam sua utilização pensando nos anos pós Revolução de 1964, onde o objetivo deste serviço era levantar pessoas ou grupo de pessoas envolvidas em ações contra os princípios democráticos e o Governo Federal.

É evidente que a finalidade é outra e o grande objetivo é a manutenção de uma vantagem competitiva garantindo sua sustentabilidade no mundo globalizado. Os empresários não podem mais se preocupar tão somente com os clientes é preciso estar atento a seus concorrentes.

“Devido à competitividade dos mercados, já não basta compreender os clientes. As empresas precisam começar a prestar atenção a seus concorrentes. Empresas bem sucedidas projetam e operam sistemas para obter informações contínuas sobre seus concorrentes. ” PHILIP KOTLER

A globalização tem forçado as organizações a se preocuparem com a competitividade e com a colocação no mercado de produtos com uma melhor qualidade a preços menores. Para isso há necessidade de constante vigilância quanto às mudanças de mercado acompanhando as tendências do seu ambiente externo e interno.

Para que o sucesso nessa atividade seja conquistado, é necessário que as empresas tenham pelo menos um setor mínimo que seja de Inteligência, visando o acompanhamento dessas tendências por parte do Gestor, permitindo uma antecipação aos fatos e o auxiliando na sua tomada de decisão.

Desde a Segunda Grande Guerra sabemos que cerca de 70% das informações utilizadas para tomada de uma decisão estão disponíveis ostensivamente nos meios de comunicações. Hoje, esse conceito não mudou muito, pelo contrário, com a globalização e a tecnologia da informação, as informações estão disponíveis a qualquer pessoa que se disponha a pesquisar como, por exemplo, na Internet.

Para isso julgamos conveniente que nesse setor haja uma equipe de coleta de dados, não esquecendo que em muitas das vezes as informações estão disponíveis dentro da própria empresa. A necessidade da troca de informações interna é de suma importância e nem sempre é levada a sério no meio empresarial, o que torna a empresa vulnerável, perdendo sua competitividade, com gastos desnecessários para obtenção das informações.

O restante das informações serão obtidas por meio da busca, pois os dados não estão disponíveis, fazendo com que a empresa tenha que buscá-los no ambiente externo. Aqui precisamos de uma segunda equipe, que denominamos de equipe de busca, que visa coletar o dado negado, ou seja, a informação que não está disponível nos meios ostensivos.

É importante lembrar que tanto na coleta, como na busca, o empresário não deve esquecer que a ética terá que nortear suas ações. A essas equipes atribui-se a responsabilidade da Investigação Empresarial que, normalmente não faz parte do seu escopo corporativo, fazendo com que as empresas terceirizem o serviço. É aqui o momento de maior atenção por parte de quem contrata o serviço de investigação, para não correr o risco de que as informações sejam conseguidas de forma antiética.

“É importante lembrar que a atividade de Inteligência é uma atividade especializada permanente executada com o objetivo de produzir conhecimento de interesse do usuário de qualquer nível, e proteger conhecimentos sensíveis, instalações e pessoal da empresa contra ações patrocinadas pelos serviços de Inteligência dos concorrentes.”

Na busca pelas informações sobre o mercado e principalmente sobre o concorrente, o investigador terá como aliado, desde que tenha a técnica, a engenharia social.

A Engenharia Social é uma ferramenta valiosíssima, pois através da indução o investigador terá a sua disposição informações estratégicas sobre o mercado e principalmente sobre o concorrente, sem ter para isso, que utilizar meios antiéticos. As informações serão naturalmente passadas para o investigador sem pressão ou qualquer artifício psicológico para obtê-las. Em contra partida é preocupante saber que a sua empresa está à mercê dos engenheiros sociais dos concorrentes.
Estamos preparados para enfrentá-los?

Para isso teríamos que trabalhar com nosso público interno a contraindução para evitarmos vazamentos de informações involuntárias. Esse trabalho ficaria a cargo do setor de inteligência que, através de palestras e seminários internos, prepararia nossos colaboradores contra possíveis ações de engenharia social por parte da concorrência.

Percebemos que a necessidade de conhecer e de proteger seus conhecimentos (informações), além de muito antiga é fundamental para qualquer empresa, seja ela de grande ou pequeno porte. A isso denominamos de Inteligência Competitiva e para atender essa necessidade precisamos criar na empresa um Sistema de Inteligência Competitiva (SIC), com os seguintes propósitos:

  • Antever as mudanças de mercado;
  • Antecipar-se aos concorrentes e acompanhamento das mudanças do ambiente político Nacional e Internacional, dentre outras.

“Inteligência Competitiva não é coletada de dados, e não é pesquisa de mercado. A Inteligência Competitiva diz respeito ao risco e não à informação. A lição: demarcar ou morrer! ” BE GILAD

Julgamos que, para atender a esse propósito, o SIC deva ser constituído da seguinte forma:

  • Área de Investigação: composta por equipe de coleta e busca de informações. Para desencadear essa operação os investigadores necessitam de um planejamento, visando conduzir seus trabalhos com objetividade, pois caso contrário, o improviso tomará conta das ações o que sem dúvida nos levará a gastar tempo e dinheiro. Sabemos que improvisar faz parte dos atributos do investigador, mas se tomar isso como norma, fatalmente o resultado não será satisfatório e não atingirá os objetivos propostos;
  • Área de Análise: composta por pessoas altamente treinadas para receber e analisar as informações atrelando esses dados ao negócio da empresa. Aqui não só os dados coletados, mas principalmente as fontes, serão avaliadas para se ter a certeza quanto sua idoneidade. Essa equipe é a mais importante do sistema, pois é baseado nela que o Gestor terá suporte para tomar sua decisão;
  • Área de Disseminação: é a responsável pela divulgação da informação analisada e processada. A informação só terá importância se sua divulgação for empregada dentro do princípio da oportunidade, ou seja, a informação tem prazo de validade, podemos comparar a um jornal, pois, jornal velho não se encontra nas bancas.

Os trabalhos aqui desenvolvidos produzirão uma gama de informações que serão armazenados em um Banco de Dados de Inteligência e que para sua segurança, deve ter pessoas selecionadas por características de acordo com a atividade desenvolvida dentro do SIC.

Cabe ressaltar que em todos os escalões, há a necessidade de uma conscientização da importância do SIC e sua direção deverá ficar sob a responsabilidade de alguém que tenha carisma e respeito dentro da empresa, para que suas informações sejam recebidas com credibilidade e aceitação. Seria aconselhável que o SIC fique ligado diretamente ao CEO ou a Presidência da empresa, para que tenha ascensão sobre os demais departamentos. Essa aproximação não necessariamente é física, pois com o apoio da Tecnologia da Informação, as informações fluirão com segurança e numa velocidade compatível, princípio da oportunidade, com a necessidade de que o Gestor precise para auxiliar na sua tomada de decisão.

Vemos com preocupação o desinteresse do setor de Segurança pela Inteligência Competitiva que, sem dúvida nenhuma, tem prejudicado nossa ascensão a nível de Gestão de Segurança Corporativa Empresarial. Temos certeza que ainda há tempo para redirecionarmos nossos objetivos agregando o SIC ao escopo dos nossos trabalhos. Para isso, necessitamos de empenho de todos do setor, pois não existe Inteligência sem que o homem esteja à frente para coletar, buscar, analisar, processar e disseminar a informação. Como na sua própria definição a Inteligência nada mais é que produzir e proteger conhecimentos, instalações e pessoal da empresa o que significa de uma forma muito precisa os elementos básicos da SEGURANÇA.

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