INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL (Parte 2)

Inteligência Empresarial

Como vimos no artigo anterior a inteligência empresarial é sem dúvida uma excelente ferramenta para que as empresas possam garantir sua sustentabilidade mercadológica, no Mundo Globalizado e para isso essa atividade conta com o Ramo da Inteligência e Contra-Inteligência.

O Ramo da Inteligência abrange as ações especializadas, permanentemente executadas, com o objetivo de produzir conhecimento de interesse da Alta Gestão e de qualquer nível hierárquico sobre as mudanças do Negócio da Empresa e dos Concorrentes, quando definido uma hipótese de mudança no cenário e/ou nas condições externas.

O objetivo dessa atividade é à busca do conhecimento que na realidade é o resultado do processamento de um dado (representação de um fato ocorrido, seja como um documento, fotografia, arquivo digital e outros, que ainda não tenham sido submetidos à metodologia para a produção do conhecimento), empregando para isso uma metodologia para a produção do conhecimento, e visando a avaliação ou conclusão sobre determinado fato ou situação. É na verdade o produto final do qual o usuário final do sistema poderá se basear para auxiliar em sua tomada de decisão.

A natureza das fontes de inteligência para a busca do conhecimento abrange as seguintes fontes:

  • Pessoas;
  • Documentos;
  • Organizações ou equipamentos de onde se origina o dado de inteligência.

Quanto à sua natureza a fonte pode ser:

  • ­Fonte Humana
  • Fonte de Sinais
  • Fonte de Imagem
  • Fontes de inteligência Humanas – São as que obtêm dados a partir das atividades desenvolvidas por pessoas.
  • Fontes de Inteligência de Sinais – São as que obtêm dados a partir da interceptação e monitoração das emissões, no espectro eletromagnético, dos sinais de comunicações e não comunicações.
  • Fontes de Inteligência de Imagem – São as que obtêm dados a partir de imagem obtida por equipamento fotográfico, radares e sensores, montados em plataforma aéreas, espaciais ou terrestres.

Para realizar a integração das fontes existe a necessidade de se ter um departamento responsável por essa integração. O seu representante legal será o responsável pela manutenção do ciclo de inteligência, definindo sua atividade e coordenando suas ações.

Para darmos seqüência na produção dos conhecimentos levantados pelos dois Ramos da Atividade de Inteligência, temos que observar e entender o Ciclo de Inteligência que consiste de três fases: Orientação, Produção e Utilização.

Orientação – A primeira fase deste ciclo, é de responsabilidade do Diretor ou Chefe do Departamento de Inteligência da Empresa, devendo este, definir as ações a serem realizadas pelas equipes em suas atividades de inteligência (coleta e busca). É de suma importância que essas atividades estejam sincronizadas com a política da empresa.

Produção – A segunda fase, os conhecimentos são produzidos de forma a atender as necessidades de Inteligência da Empresa, definido pela Alta Gestão. Para essa fase usamos a seguinte metodologia (para produzir o conhecimento): Planejamento, Reuniões de coordenação, Análise, Interpretação e Disseminação.

Todas as fases são importantes, porém, é na análise que o Gestor se baseará para nortear a estratégia da empresa, tomará suas decisões e em conseqüência, desenvolverá todas as suas atividades, sejam elas Operacionais, como principalmente as Estratégicas.

Utilização – A terceira e última fase, é a fase onde o conhecimento produzido será difundido ao usuário que a solicitou ou que necessite dele para sua tomada de decisão. Nesta fase temos que atender os seguintes quesitos:

  • ­Atender as necessidades específicas dos usuários (de quem solicitou a coleta ou a busca da informação);
  • Relatar os assuntos em relatórios de fácil compreensão pelo usuário final;
  • Lembrar que o princípio da oportunidade é de fundamental importância, para o Gestor tomar a sua decisão e se antecipar ao concorrente, bem como às mudanças do mercado;
  • Manter o ciclo em constante funcionamento fazendo sua retro-alimentação.

Vimos até aqui a importância de produzir o conhecimento e a partir deste momento, a empresa precisa proteger tudo que se conseguiu com o Ramo da Inteligência Empresarial.

O setor responsável por esta manutenção dentro do departamento de Inteligência da Empresa é o Ramo da Contrainteligência. Este é o responsável pela segurança do Sistema de Informações da Empresa e desenvolve sua atividade com ações especializadas, permanentemente executadas, com o objetivo de proteger conhecimentos sensíveis, instalações e pessoal da Empresa, contra ações desenvolvidas por serviços de Inteligência da Concorrência.

Para cumprir sua finalidade que é proteger conhecimentos produzidos pelo serviço de inteligência da empresa, pessoal e instalações da empresa, precisamos conhecer alguns conceitos básicos.
Pela importância que devemos dar na proteção dos conhecimentos produzidos pelo órgão de inteligência da empresa, cito como exemplo, a ser seguido por qualquer empresa, o conceito de Segredo de Estado:

  • São dados ou conhecimentos que, por disposição legal por seu valor estratégico para a garantia das instituições fundamentais do Estado, devidamente reconhecidos por autoridades competentes, devam ficar vedados a toda pessoa que deles não seja legítima depositária. Acredito que se usarmos esse conceito dentro da empresa, respeitando é claro, a política adotada pela empresa, nossos conhecimentos estarão protegidos.

Continuando, cito abaixo alguns conceitos para entendermos todo significado da definição do Ramo Inteligência Empresarial.

  • Acesso: ato de uma pessoa ter condição de obter conhecimento e/ou dados e fazer uso desses.
  • Credencial de Segurança: é o certificado (crachá, senha, código de segurança ou cartão de acesso) concedido por pessoa competente, que habilita uma pessoa a ter acesso, até determinado grau de sigilo, a conhecimentos e/ou dados que devam ser protegidos pela empresa.
  • Necessidade de Conhecer: é a condição indispensável, inerente ao exercício funcional, para que uma pessoa, com credencial de segurança adequada, tenha acesso a conhecimentos e/ou dados classificados com grau de sigilo igual ou inferior ao da sua credencial (crachá).
  • Compartimentação: é o resultado eficaz de todas as medidas de salvaguarda que visam a restringir o acesso à necessidade de conhecer. Nem todos do departamento, mesmo o de Inteligência, deverá tomar conhecimento de todos os assuntos. Isso é uma prerrogativa apenas do chefe do Departamento, se não for a melhor, é uma das melhores medidas de segurança das informações estratégicas ou conhecimento que mereça sigilo.
  • Comprometimento: é a perda de segurança resultante de acesso, por pessoa não autorizada.
  • Vazamento: é a divulgação, não autorizada, de conhecimento ou dado sensível. Neste caso a informação saiu de dentro da empresa sem o seu consentimento, talvez por falta de controle (segurança) ou até mesmo por uma seleção mal realizada.

Esses conceitos são simples e se adotados corretamente a empresa estará salvaguardando o seu bem maior que é sua estratégia empresarial, garantindo sua competitividade e sustentabilidade.

O Ramo da Contrainteligência ainda poderá ajudar nessas ações com a utilização da segurança ativa e orgânica.

No Ramo da Contrainteligência contamos com os seguintes segmentos:

  • ­Segurança Ativa;
  • Segurança Orgânica.

A Segurança Ativa é o conjunto de medidas destinadas a detectar, identificar, avaliar e neutralizar as ações dos serviços de inteligência da concorrência.

Para a atividade empresarial a Segurança Ativa é composta por:

  • ­Contrapropaganda;
  • Desinformação.

A Contrapropaganda é a atividade que se pré-dispõe a anular os efeitos da propaganda do concorrente sobre o público interno e externo, bem como nos segmentos sociais de seu interesse.

Já a Desinformação é a atividade que visa de forma intencional, ocultar, ludibriar ou induzir a erro de apreciação o serviço de inteligência da concorrência.

A Segurança Orgânica é o conjunto de medidas passivas destinadas a prevenir e a barrar as ações do serviço de inteligência do concorrente.

A composição da segurança orgânica abrange as seguintes atividades:

  • ­Segurança Pessoal;
  • Segurança da Documentação e do Material;
  • Segurança das Comunicações;
  • Segurança das Áreas e das Instalações e;
  • Segurança da Informática.

Veremos a seguir seus principais objetivos:

A Segurança Pessoal visa – diminuir a possibilidade de admissão de pessoas comprometidas com interesses contrários à empresa, e realizar uma campanha de endomarketing para estabelecer padrões educativos. Esses trabalhos deverão ser em conjunto com o RH.

Seus objetivos são:

  • ­Prevenir e impedir ações de infiltração pela concorrência;
  • Orientar o recrutamento feito pelo RH;
  • Prevenir comportamentos inadequados e;
  • Estabelecer padrões para campanha de endomarketing realizada pelo RH.

É importante ressaltar que, para se evitar qualquer tipo de fuga de informações pelo público interno, sejam observados os seguintes princípios:

  • A Necessidade de conhecer está ligada à função desempenhada;
  • O acesso a documentos sensíveis só é permitido a pessoas credenciadas e;
  • O conhecimento de assuntos sensíveis depende da função, não, do grau hierárquico.

A Segurança da documentação e do material visa evitar o comprometimento de seu uso pela concorrência, tendo como objetivos:

  • ­ Proteger conhecimento e/ou dados sensíveis da empresa durante a produção, expedição, recepção, manuseio, arquivamento e destruição.

Um exemplo dessas medidas é a prática da “mesa limpa” ao término do expediente, o que em muitas vezes, é feito sem saber que se está adotando uma medida de Contra- Inteligência.

A Segurança das Comunicações têm por objetivos a proteção dos conhecimentos durante a sua transmissão e recepção. É importante que nesta operação haja uma integração muito forte com a área de Tecnologia da Informação (TI), pois só assim poderemos impedir ou dificultar a interceptação por parte da concorrência, na análise e tráfego dos nossos conhecimentos e ações estratégicas. Uma das medidas adotadas nessa operação é a criptografia dos assuntos de interesse da empresa.

É importante lembrar que assuntos relevantes à empresa não sejam tratados por telefone ou rádio, pois apesar de não parecer, a interceptação e monitoração das comunicações é uma atividade de fácil execução.

“… celular eu só uso para marcar encontros que eu não vou comparecer”. Itamar Franco, então Presidente da República.

Segurança das Áreas e Instalações têm por objetivos proteger os locais onde são elaborados, tratados, manuseados ou guardados os conhecimentos sensíveis ou estratégicos da empresa, visando a sua não utilização por parte da concorrência, ou impedindo o seu acesso por pessoas não autorizadas.

A Segurança da Informática visa prevenir a perda, mesmo que acidental, de conhecimentos e assuntos estratégicos da empresa por falha humana ou do equipamento.

É aqui o local onde temos que investir em tecnologia para permitir o sigilo das atividades de processamento de dados e a integridade dos sistemas e programas de informática.

Acredito que se observados os assuntos abordados acima, sua empresa estará protegida contra eventuais investidas da concorrência, lembrando sempre que a nossa vigilância deverá ser continua e sistemática, pois como disse Alexandre “O Grande”:

“É perdoável ser derrotado, mas nunca, ser surpreendido”. Frederico II, o “Grande” Rei da Prússia.

Termino esse artigo lembrado da importância do serviço de Inteligência para a empresa e para o nosso setor de Segurança Empresarial.

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