Investigação Empresarial

Com a globalização as empresas tiveram que se adaptar ao novo mercado que já estava mais dinâmico com a utilização intensa da internet por parte dos empresários. Com esses fenômenos se tornou ainda mais importante o uso e a preservação das informações consideradas vitais para a empresa.

Para poder atingir os resultados desejados nos negócios as empresas tiveram que lançar mão de técnicas antigas hoje conhecidas como “ferramentas”.

Os ensinamentos colhidos com nossos antepassados também estão em evidência como os escritos por Sun Tzu a 2.500AC:

“Se você se conhece e ao inimigo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória sofrerá também uma derrota. Se você não conhece o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas…” Sun Tzu

Com o objetivo de se proteger tanto externamente como internamente, os empresários lançam mão no mercado da Investigação Empresarial, que também surgiu com nossos antepassados particularmente após a segunda grande guerra, com o período chamado de “Guerra Fria”, conhecida como a “era de ouro da espionagem”.

Nos dias de hoje, podemos considerar a Investigação Empresarial voltada para duas vertentes:

Investigação Operacional (delituosa);
Investigação Estratégica.

Na Investigação Operacional o objetivo é descobrir a agressão e o seu autor, para que seja despedido por justa causa e em consequência, processado judicialmente. É importante que para isso observemos alguns procedimentos legais:

– A Lei nº 9.455, de 07 de abril de 1997, define os crimes de tortura e dá outras providências, no seu ART 1º – I – Constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental:

  1. a) com o fim de obter informações, declarações ou confissões da vítima ou de terceira pessoa.

Pena – reclusão de dois a oito anos.
§ 2º Aquela que se omite em face dessas condutas…
Pena – reclusão de um a quatro anos.

– A Constituição Federal – CF – de 1988, no Título V – Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas, Capítulo III – Da Segurança Pública, ART 144, define os Órgãos de Segurança Pública (OSP) e no seu § 4º atribui a Polícia Civil os trabalhos de Ordem Judiciária, como no § 5º diz que Polícia Militar é responsável pelo patrulhamento ostensivo.

Portanto, a investigação privada não tem poder de polícia, cabendo tão somente, coletar indícios e provas para que a polícia civil faça seu papel constitucional.

Não podemos deixar de lembrar que toda e qualquer ação na busca de provas devem ser totalmente lícita, caso contrário, a empresa estará dando ao agressor, a oportunidade de sair da situação de réu para vítima processando a empresa e quem sabe até, prejudicando a sua imagem junto ao mercado e principalmente perante o cliente.

Lembro ainda que, em muitos casos, as empresas por não possuírem um setor de investigação, terceirizam este tipo de serviço e, por não serem fiscalizadas, não atentam para o cumprimento da legislação em vigor, chegando até a “quarteirizarem” o serviço a elas contratado. Mas o que isso representa? Sem sombra de dúvida os riscos são muitos, inclusive ser processado por coautoria nos casos de ações na justiça, por utilização de meios ilícitos para obtenção de provas, como por exemplo: a utilização de “Grampo Telefônico” ao invés de Escuta Telefônica Autorizada (ETA). A grande diferença é que esta última tem autorização judicial, portanto, poderá ser usada como prova contra o autor da agressão e/ou ação delituosa (Ex: roubo, furto, fraude e etc…), contra a empresa.

Acredito que a Investigação Operacional desde que corretamente utilizada pela empresa ou pela prestadora de serviço, seja uma excelente ferramenta para que as empresas mantenham seu patrimônio protegido e seus colaboradores atentos para o cumprimento das normas, procedimentos e condutas éticas instituídos pela empresa.

Outra importante finalidade (ferramenta) da Investigação Operacional é servir de subsídio para a área de Gerenciamento de Risco (GR), pois permitirá aos Analistas ratificarem ou retificarem seus projetos de “GR”. Para a empresa que não tem integrado no seu serviço interno essa importante ferramenta, poderá utilizar o seu resultado para cobrar da sua prestadora de serviço de GR, que a norma e procedimento planejado sejam cumpridos, e se o projeto proposto está adequado ao Risco que realmente sua empresa está exposto, ou seja, se as medidas implantadas estão na medida certa, evitando desperdício de meios, pessoal, material, tempo e dinheiro, para mitigar o Risco levantado.

Quanto a Investigação Estratégica há necessidade de adquirir o “CONHECIMENTO” o que vem assustando os empresários, pois, o volume de informações existentes é muito grande em todos os meios de comunicações, e cresce o desejo de saber se os conteúdos divulgados são ou não verdadeiros.

Nesse ambiente globalizado altamente competitivo, incerto e marcado por altos custos para obtenção das informações necessárias à compreensão das intenções e capacidade de outros atores relevantes (concorrente), os empresários modernos lançaram mãos de vários instrumentos que pudessem reduzir tais custos, desde casamento e outras formas de alianças dinásticas, até o uso de serviços secretos (Serviço de Inteligência).

A necessidade de conhecer é tão antiga que remota aos tempos de sua própria criação. É provável que, ainda na pré-história, tenha sentido essa necessidade, nos momentos em que lutava para expulsar os inimigos dos seus campos de caça e, assim, aumentar o seu êxito na sobrevivência humana.

As origens de um serviço de inteligência com um mínimo de estrutura estão no Antigo Testamento. Deus diz a Moisés para que ele enviasse homens que “espiem” a terra de Canaã (atual Palestina), que seria dada aos filhos de Israel. Moisés imediatamente cumpre a ordem Divina, escolhendo um nobre em cada uma das doze tribos de seu povo. A esses primeiros agentes do futuro MOSSAD deu as seguintes instruções:

“Subi a montanha e vede que terra é e o povo que nela habita, se é forte ou fraco, se é pouco ou muito; e quais são as cidades em que habita, se em arraiais ou em fortalezas. Também qual é a terra, se é grossa ou magra”.

A Investigação Estratégica está ligada a Inteligência Competitiva e, por isso, há importância de sabermos suas origens e sua aplicabilidade nos tempos modernos. O foco é saber as mudanças mercadológicas e as atividades e fraquezas dos nossos concorrentes, podendo a empresa elaborar seu Planejamento Estratégico, garantindo assim, seu crescimento sustentável.

Para isso precisamos saber o significado da Atividade de Inteligência, que é uma atividade técnica e especializada, permanentemente exercida, com o objetivo de produzir conhecimento de interesse do usuário de qualquer nível, e proteger conhecimentos sensíveis, instalações e pessoal da empresa contra ações patrocinadas pelos serviços de inteligência da concorrência. Na nossa definição podemos através da ação dos verbos produzir e proteger, identificar os ramos da atividade de inteligência da empresa como sendo, INTELIGÊNCIA e CONTRA-INTELIGÊNCIA, respectivamente.

Na busca pela informação estratégica temos um longo caminho a percorrer, pois, como já falamos no início, existe uma gama de informações que é muito extensa e necessitamos apenas, coletar somente as que tenham utilidade estratégica para e empresa. Esse trabalho na busca da informação deve ser dividido em duas etapas: o primeiro é a coleta de dados que está disponível nas fontes ostensivas como nos jornais, revistas, livros, internet, fotos, filmes, até dentro da própria empresa e etc. O segundo é a busca que visa ir atrás do dado negado, não esquecendo que para isso é necessário sempre o emprego de técnicas sem, contudo, esquecer que a ética está acima de qualquer forma utilizada para a busca do dado negado.

Depois de coletados, os dados deverão ser processados e cuidadosamente analisados, pois a partir daí já se constituem em conhecimento que será o produto final do qual a Alta Gestão utilizará na sua tomada de decisão.

Podemos perceber que Investigação Empresarial é o sustentáculo da Inteligência Competitiva (IC), e para que seu resultado traga proveito estratégico para a empresa, necessita de suporte técnico como a Tecnologia da Informação, pessoal especializado, aceitação interna e, principalmente, por parte do decisor, que será o usuário final das informações produzidas.

Concluímos que para um resultado satisfatório na atividade de Investigação Empresarial, as empresas deveriam criar um setor voltado para essa atividade fim, mesmo que pequeno, porém, com o mínimo de estrutura para dar suporte tanto Operacionalmente como Estrategicamente, focado na proteção dos colaboradores, patrimônios, assuntos sigilosos, informações estratégicas, e vitais para a sobrevivência no mercado, não esquecendo, no entanto, de enfatizar para isso, o emprego da ética como carro chefe nos trabalhos de Inteligência.

No mundo moderno e globalizado, as empresas investem pesado em tecnologia, visando à proteção dos seus ativos, que sem dúvida nenhuma têm sua eficácia comprovada, mas, será que só isso basta? É claro que não, pois, atrás dessas ferramentas existirá sempre o fator humano, que por sua vez não tem tido o mesmo investimento tecnológico. A nossa experiência no setor e os noticiários do dia-a-dia mostram um crescimento preocupante com a participação de colaboradores internos nos delitos contra a empresa. Será que estamos atentos ao que ocorre no cotidiano dentro das nossas empresas, será que os responsáveis pelos setores internos estão preparados para lidar com o público interno?

Para encerrar gostaria de deixar algumas perguntas para reflexão dos caros leitores.

“O que pode transformar um funcionário exemplar que passou pela seleção dentre vários candidatos, que vem todos os dias cheio de energia e disposição para trabalhar, transformar-se em uma séria ameaça para empresa? Quem dentro da sua empresa está preparado para lidar com a decepção do funcionário quanto ao plano de cargo e salário existente dentro do nosso Recursos Humanos? Quem está apito dentro da empresa a conversar com seus funcionários para verificar seus problemas incluindo os particulares sem xeretar? A quem dentro da empresa o colaborador pode recorrer para resolver seus problemas, suas insatisfações quanto ao projeto social desenvolvido pela empresa? Será que o gerente, superintendente, diretor, presidência, em fim a alta gestão sabe o que se passa com seu funcionário, além do cumprimento das metas que eles têm que cumprir?”

Caso consigamos responder a esses simples questionamentos, provavelmente, nosso colaborador não se transformará em uma séria ameaça para empresa.

Para nosso crescimento sustentável na área de Gestão de Segurança Empresarial, acredito que seja prioritário o entendimento por parte dos empresários do setor, da necessidade da Investigação Empresarial, em particular, no Ramo da Investigação Estratégica, onde o escopo deva ser a busca pela informação, visando seu emprego como Inteligência Competitiva. Caso esses conceitos não sejam revistos, acredito que em curto espaço de tempo, estaremos perdendo uma importante e excelente fatia de mercado.

A investigação empresarial sem dúvida nenhuma é uma excelente ferramenta para mitigar o mais sério de todos os riscos, “a natureza humana”.

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