O Controle das Emoções nas Atividades de Segurança

Nos cenários de violência e estresse do dia-a-dia, a falta de estrutura e outros fatores podem interferir na eficácia das ações dos profissionais de uma maneira geral.

O profissional de segurança é de uma maneira geral todo aquele que presta serviços de proteção a bens e/ou pessoas. Seja policial, agente ou vigilante, desempenha suas funções de maneira a atender às expectativas do contratante ou da população de modo geral. Deve ser centrado em suas atitudes, ter controlado seus impulsos e acima de tudo, possuir autocontrole diante das diferentes situações que permeiam seu trabalho.

Nesse contexto, convivemos hoje com um cenário de violência maciça que conduz as pessoas a expressarem os mais diversos tipos de sentimento e atitudes.

Notícias sobre furtos, roubos, seqüestros, torturas, homicídios, latrocínios, estupros, genocídios e infanticídios estão de tal maneira integradas ao nosso cotidiano, que nem percebemos mais o horror que expressam.

Essa agressividade urbana se faz presente em toda a vida cotidiana. Pode até passar despercebida, mas está latente, causando tensões, esgotamento, incômodos e desviando a concentração da atividade produtiva. São comportamentos anti-sociais, como a intolerância, o relaxamento da cordialidade e da cortesia, o abuso e a prepotência dos que mais podem ou mais têm, a esperteza maliciosa do finório que quer sempre levar vantagem, mesmo que isso signifique prejuízo para o próximo.

Viver em um ambiente assim é um desafio constante para a paciência e a tranquilidade de qualquer mortal e uma pressão evidente para as explosões de violência ou aparecimento do estresse.

Conceitua-se estresse (palavra de origem latina usada na área da saúde desde o século XVII que apenas em 1926 foi usada para descrever um estado de tensão patogênico do organismo) a maneira como as células ou o organismo reage frente a estímulos externos desfavoráveis. De modo geral, estes significam perigo que exige fuga ou luta. Para ambas as alternativas o organismo precisa se preparar. A primeira providência é uma descarga de adrenalina, cuja ação farmacológica principal se faz sentir no aparelho circulatório e respiratório.

Os diversos conceitos de estresse encontrados na literatura caracterizam-no como uma resposta do organismo a determinados estímulos estressantes, se constituindo em um mecanismo importante para a sobrevivência humana.

Segundo Couto, estresse pode variar entre uma simples sensação de desconforto e uma total prostração do corpo e da mente. Os principais sintomas são: nervosismo, ansiedade, irritabilidade, fadiga, angústia, raiva, depressão, dor no estômago, no pescoço, ombros, peito e nas costas. Esse autor identifica ainda dois tipos de estresse em relação à intensidade das manifestações: o agudo e o crônico.

Outro estudioso, Lipp, conceitua estresse como “um estado de tensão que causa uma ruptura no equilíbrio interno do organismo”. Quando ocorre o estresse, o equilíbrio é quebrado e não há mais entrosamento entre os vários órgãos do corpo. Isso é o que se chama de estresse inicial. Como por natureza temos o impulso de sempre buscar o equilíbrio, automaticamente é feito um esforço especial para se restabelecer o equilíbrio interior. Tal esforço é uma resposta adaptativa do ser humano e às vezes exige um considerável desgaste e utilização de reservas física e mental.

As características pessoais são importantes determinantes dos níveis de estresse experimentados por uma pessoa. Nesse sentido, não são propriamente os estressores que determinam se o impacto será grande ou pequeno, mas a vulnerabilidade individual às pressões que, por sua vez, encontram-se atreladas à estrutura psicofísica de cada um.

Em um ambiente organizacional, os trabalhadores são submetidos a pressões que possibilitam algum nível de estresse provocando um aumento nos níveis de rotatividade, absenteísmo, além de doenças e acidentes de trabalho. A identificação das fontes de pressão no trabalho é fundamental para amenizá-las ou, se possível, erradicá-las.

Para Lipp, quando se consegue utilizar estratégias de enfrentamento para restabelecer a ordem interior, o estresse é eliminado e volta-se ao normal. A volta ao equilíbrio pode ocorrer pelo término da fonte de estresse ou, mesmo em sua presença, quando se aprende a lidar com ela adequadamente.

Outro aspecto que se deve considerar como reflexo da atuação do profissional de segurança implica na personalidade de cada indivíduo. De modo geral, personalidade refere-se ao modo relativamente constante e peculiar de perceber, pensar, sentir e agir. A definição tende a ser ampla e acaba por incluir habilidades, atitudes, crenças, emoções, desejos, o modo de comportar-se e, inclusive, os aspectos físicos do indivíduo. A definição de personalidade engloba também o modo como todos esses aspectos se integram, se organizam, conferindo peculiaridade e singularidade ao indivíduo.

Para Bock, a personalidade é um conjunto de hábitos e comportamentos adquiridos a partir de condicionamentos na infância e outras formas de aprendizagem que vão reforçando alguns hábitos, substituindo outros.

O comportamento do ser humano e suas respostas frente às situações e aos problemas que a vida lhe traz têm sempre a marca de sua personalidade e são por ela influenciados. É, pois, em função de sua personalidade, que o homem se ajusta (ou não) ao ambiente em que vive.

Podemos mencionar como as mais importantes, quatro características da personalidade:

  • É formada por componentes físicos e psíquicos;
  • É permanentemente influenciada pelo meio ambiente;
  • Reage sempre como um todo e seus comportamentos exercem influência recíproca;
  • É dinâmica, alternando-se em vários de seus aspectos, às vezes de maneira transitória, às vezes de maneira mais permanente.

Segundo Block, o estudo da personalidade deve ser compreendido no seu aspecto de psicologia geral, isto é, como meio de se estabelecer leis gerais sobre o funcionamento da personalidade – o que existe de comum em todas as personalidades humanas – independentemente de fatores culturais, grupais ou circunstanciais. Deve ser compreendido, também, no seu aspecto de psicologia diferencial, isto é, como busca do que existe de único e próprio em cada personalidade, a compreensão do caso individual. Portanto, o estudo da personalidade permite aí a descoberta da individualidade.

Para Furtado, na abordagem da personalidade, alguns termos são empregados freqüentemente com vários significados. Alguns deles são: caráter, temperamento e traço da personalidade.

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