PRESERVAÇÃO DO CONHECIMENTO [INTELIGÊNCIA E CONTRAINTELIGÊNCIA]

Dados confidenciais garantem presença no mercado, e o acesso a eles precisa de controle eficiente e seguro. A preservação do conhecimento deve ser uma tarefa contínua e sistemática.

A Inteligência empresarial é uma excelente ferramenta para que as empresas possam garantir sua sustentabilidade mercadológica no mundo globalizado e para isto conta com o ramo da Inteligência e a Contrainteligência.

O da Inteligência abrange as ações especializadas permanentemente executadas com o objetivo de produzir conhecimento de interesse da alta gestão e de qualquer nível hierárquico sobre as mudanças do negócio da empresa e dos concorrentes, quando definida uma hipótese de mudança no cenário e / ou nas condições externas.

O objetivo dessa atividade é a busca do conhecimento que é o resultado do processamento de um dado (representação de um fato ocorrido, seja como um documento, fotografia, arquivo digital e outros que ainda não tenham sido submetidos à metodologia para a produção de conhecimento e visando a avaliação ou conclusão sobre determinado fato ou situação. É na verdade o produto do qual o usuário final do sistema poderá se basear para auxiliar em sua tomada de decisão.

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A natureza das fontes de Inteligência para a busca do conhecimento abrange as seguintes fontes: pessoas, documentos, organizações ou equipamentos de onde se origina o dado de Inteligência.

Quanto à sua natureza as fontes podem ser: humana (as que obtêm dados a partir das atividades desenvolvidas por pessoas); de Inteligência de sinais (as que obtêm dados a partir da interceptação e monitoração das emissões, no espectro eletromagnético, dos sinais de comunicações e não comunicações) e de Inteligência de imagem (as que obtêm dados a partir de imagem obtida por equipamento fotográfico, radares e sensores, montados em plataforma aéreas, especiais ou terrestres).

Para realizar a integração das fontes há a necessidade de termos um departamento responsável por essa integração. O seu representante legal será o responsável pela manutenção do ciclo de Inteligência, definindo sua atividade e coordenando suas ações.

Para a produção dos conhecimentos levantados pelos dois ramos da atividade de Inteligência, temos que observar e entender o ciclo de Inteligência que se consiste de três fases: orientação, produção e utilização.

A primeira fase é de responsabilidade do diretor ou chefe do departamento de Inteligência da empresa, que deve definir as ações a serem realizadas pelas equipes em suas atividades de Inteligência (coleta e busca). É de suma importância que as atividades estejam sincronizadas com a política da empresa.

Na segunda fase, os conhecimentos são produzidos de forma a atender as necessidades de Inteligência da empresa, definido pela alta gestão. Para esta fase usamos a seguinte metodologia para produzir o conhecimento: planejamento, reuniões de coordenação, análise, interpretação e disseminação. Todas as fases são importantes, porém é na análise que o gestor se baseará para nortear a estratégia da empresa, tomará decisões e, em consequência, desenvolverá todas as atividades, sejam elas operacionais, como principalmente as estratégicas.

A terceira e última fase – utilização – é onde o conhecimento produzido será difundido ao usuário que a solicitou ou que necessite dele para sua tomada de decisão.

Nesta fase é preciso: atender as necessidades específicas dos usuários (de quem solicitou a coleta ou a busca da informação); relatar os assuntos em relatórios de fácil compreensão pelo usuário final; lembrar que o princípio da oportunidade é de fundamental importância para o gestor tomar a sua decisão e se antecipar ao concorrente, bem como às mudanças do mercado; manter o ciclo em constante funcionamento fazendo sua retroalimentação.

Até aqui se demonstrou a importância de produzir o conhecimento. A partir desse momento, a empresa precisa proteger tudo que se conseguiu com o ramo da Inteligência empresarial.

O setor responsável por esta manutenção no departamento de Inteligência da empresa é o ramo da Contrainteligência, responsável pela segurança do sistema de informações que desenvolve sua atividade com ações especializadas, permanentemente executadas, com o objetivo de proteger conhecimentos sensíveis, instalações e pessoal, contra ações desenvolvidas por serviços de Inteligência da concorrência.

inteligência na proteção empresarial

Para cumprir a finalidade de proteger conhecimentos produzidos pelo serviço de Inteligência da empresa, pessoal e instalações da empresa, é preciso conhecer alguns conceitos básicos. Por exemplo, o importante conceito “Segredo de Estado” que são dados ou conhecimentos que – por disposição legal e por seu valor estratégico para a garantia das instituições fundamentais do Estado, devidamente reconhecidos por autoridades competentes – devem ficar vedados a toda pessoa que deles não seja legítima depositária. Se usarmos esse conceito nas empresas, respeitando é claro a política adotada por elas, nossos conhecimentos estarão protegidos.

Alguns conceitos são definitivos para se entender o significado da definição do ramo Inteligência empresarial:

ACESSO:

Ato de uma pessoa ter condição de obter conhecimento e/ou dados e fazer uso destes.

CREDENCIAL DE SEGURANÇA:

É o certificado (crachá, senha, código de segurança ou cartão de acesso) concedido por pessoa competente, que habilita outra a ter acesso, até determinado grau de sigilo, a conhecimentos e/ou dados que devam ser protegidos pela empresa.

NECESSIDADE DE CONHECER:

É a condição indispensável, inerente ao exercício funcional, para que uma pessoa, com credencial de segurança adequada, tenha acesso a conhecimentos e/ou dados classificados com grau de sigilo igual ou inferior ao da sua credencial.

COMPARTIMENTAÇÃO:

É o resultado eficaz de todas as medidas de salvaguarda que visam restringir o acesso à necessidade de conhecer. Nem todos do departamento, mesmo os de Inteligência, deverão tomar conhecimento de todos os assuntos. Isso á uma prerrogativa apenas do chefe do departamento. Se não for a melhor, é uma das melhores medidas de segurança das informações estratégicas ou conhecimento que mereça sigilo.

COMPROMETIMENTO:

É a perda de segurança resultante de acesso, por pessoa não autorizada.

VAZAMENTO:

É a divulgação não autorizada de conhecimento ou dado sensível. Neste caso, a informação saiu da empresa sem consentimento, talvez por falta de controle (segurança) ou até mesmo por um processo de seleção de pessoas seleção mal feito.

Esses conceitos são simples e se adotados corretamente, a empresa estará salvaguardando seu bem maior que é a estratégia empresarial, garantindo competitividade e sustentabilidade.

SEGURANÇA ATIVA E ORGÂNICA

No ramo da Contrainteligência contamos com dois segmentos: segurança ativa e segurança orgânica. A ativa é o conjunto de medidas destinada a detectar, identificar, avaliar e neutralizar as ações dos serviços de Inteligência da concorrência.

Para a atividade empresarial a segurança ativa é composta por: contrapropaganda e desinformação. A contrapropaganda é a atividade que se pré-dispõe a anular os efeitos da propaganda do concorrente sobre o público interno e externo, bem como nos segmentos sociais de seu interesse. A desinformação é a atividade que visa de forma intencional, ocultar, ludibriar ou induzir a erro de apreciação o serviço de Inteligência da concorrência.

A segurança orgânica é o conjunto de medidas passivas destinadas a prevenir e a barrar as ações do serviço de Inteligência do concorrente. Ela abrange os seguintes tipos de segurança: pessoal; da documentação e do material; das comunicações; das áreas e das instalações e da informática.

A segurança pessoal visa diminuir a possibilidade de admissão de pessoas comprometidas com interesses contrários à empresa, e realizar uma campanha de endomarketing para estabelecer padrões educativos. Esses trabalhos deverão ser em conjunto com o RH. Seus objetivos são: prevenir e impedir ações de infiltração pela concorrência; orientar o recrutamento feito pelo RH; prevenir comportamentos inadequados e estabelecer padrões para campanha de endomarketing realizada pelo RH.

É importante ressaltar que, para se evitar qualquer tipo de fuga de informações pelo público interno, seja observado que a necessidade de conhecer está ligada à função desempenhada; que o acesso a documentos sensíveis só é permitido às pessoas credenciadas e o conhecimento de assuntos sensíveis depende da função, não do grau hierárquico.

A segurança da documentação e do material visa evitar o comprometimento de seu uso pela concorrência, tendo como objetivos proteger conhecimento e/ou dados sensíveis da empresa durante a produção, expedição, recepção, manuseio, arquivamento e destruição.

Um exemplo dessas medidas é a prática da “mesa limpa” ao término do expediente, o que em muitas vezes é feito sem saber que se está adotando uma medida de Contrainteligência.

A segurança das comunicações tem por objetivo a proteção dos conhecimentos durante a transmissão e a recepção. É importante que nesta operação haja uma integração muito forte com a área de Tecnologia da Informação (TI), pois só assim se poderá impedir ou dificultar a interceptação, por parte da concorrência, na análise e tráfego dos conhecimentos e ações estratégicas. Uma das medidas adotadas nessa operação é a criptografia dos assuntos de interesse da empresa.

É importante lembrar que assuntos relevantes da empresa não sejam tratados por telefone ou rádio pois, apesar de não parecer, a interceptação e monitoração das comunicações é uma atividade de fácil execução.

A segurança das áreas e instalações tem por objetivo proteger os locais onde são elaborados, tratados, manuseados ou guardados os conhecimentos sensíveis ou estratégicos da empresa, visando a sua não utilização por parte da concorrência ou para impedir o acesso de pessoas não autorizadas.

A segurança da informática visa prevenir a perda, mesmo que acidental, de conhecimentos e assuntos estratégicos da empresa por falha humana ou do equipamento. É onde se deve investir em tecnologia para permitir o sigilo das atividades de processamento de dados e a integridade dos sistemas e programas de informática.

Observados os fatores abordados, a empresa estará protegida contra eventuais investidas da concorrência, mas deve-se lembrar sempre que a vigilância deverá ser continua e sistemática.

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